5º Encontro Nacional da Pascom: Liturgia e Comunicação: uma comunhão perfeita

As palavras de Frei Faustino, assessor da Comissão Episcopal para Liturgia, resume o objetivo dos três dias de encontro da Pascom: “A liturgia na sua essência é comunicação”.  Este foi o principal motivo que levou as duas comissões episcopais a trabalhar para que o encontro falasse de liturgia/comunicação e comunicação/liturgia.

Na primeira conferência, na abertura do evento, Frei José Ariovaldo Da Silva (OFM) deixou isto claro ao afirma que a comunicação está presente em todo texto litúrgico, lembrando que a palavra comunicação em latim vem do verbo “comunicare”, que se liga ao adjetivo “comunis”, cujo significado seria “pertence a todos”. Ele explicou que, quando elas aparecem no Missal, são traduzidas do latim como comunicar e comunhão, cujo sentido é partilhar, dividir.

Frei Ariovaldo frisou ainda que a plenitude da comunicação de Deus com o ser humano é feita por meio de Maria, onde, segundo ele, houve uma comunicação perfeita. Ele também chamou atenção para os exageros que se cometem na liturgia, quando não se permite que o silencio fale e que a utilização de instrumentos atrapalha as pessoas a contemplar a beleza da liturgia que leva ao encontro, diálogo e comunicação com Deus.

Na sexta-feira, os participantes tiveram a oportunidade de ouvir o Padre Luiz Eduardo Baronto falar sobre Comunicação e anúncio da Palavra. Ele, como afirmou, tomou a decisão de priorizar a homilia, brincando que “aqui estão os padres e suas vítimas”. Padre Boronto frisou que “homilia não é sermão e homilia não é lugar para tratar de temas, é momento para falar da Palavra de Deus, pois faz parte da celebração e se bem preparada mantém a unidade de toda celebração litúrgica”.

Entre os muitos erros apontados pelo padre nas homilias alguns são: falar sobre coisas que Deus não falou; falar sobre um tema e não sobre as escrituras; falar mais de dez minutos; não fazer relação com a vida e nem com o que se celebra. “A homilia deve integrar as leituras a liturgia do dia. Deve-se pensar a homilia como integração com a liturgia e não algo a parte”.

Ele destacou ainda que, as novenas de santos são importantes, mas alertou que os temas propostos para cada dia deve estar ligado a liturgia do dia, isto é, a leitura do dia. “Se quer falar sobre tema específico, sobre um aspecto do santo, então não é homilia é sermão e não deve ser feito, pois a homilia deve ser para falar das leituras”, frisou, sugerindo que o tema, sobre um pensamento de um santo seja feito ao final da missa e que se faça uma homilia de cinco minutos ou não fale nada.

No sábado, duas conferências. A primeira, “Comunicação e linguagem visual”, seria apresentado pelo artista plástico Claudio Pastro, mas devido a problemas com saúde, o tema foi apresentado pelo Padre Tiago Faccini. Ele iniciou lembrando que há uma falha na comunicação quando se aproveita bem os sinais do rito litúrgico.

Ele destacou que os espaços religiosos precisam ser bem pensados e planejados para ajudar as pessoas a viverem o que se está celebrando. Padre Tiago utilizou a visita guiada a Basílica de Nossa Senhora, frisando que “a partir da explicação sobre as pinturas, todos temos uma visão diferente e ao olhar para as imagens, elas nos levam a viver mais a celebração”.

A segunda conferência da manhã de sábado foi com Moisés Sbardelotto, que falou sobre “As novas tecnologias e a liturgia”. Ele mostrou como ocorreram as mudanças nas formas de comunicação ao longo dos anos e que alguns instrumentos estão sendo utilizados nas celebrações, frisando que é preciso discutir qual a eficácia dos instrumentos modernos de comunicação na evangelização e a melhor forma de utilizá-los.

Além das conferências, os agentes da Pascom participaram de vários seminários, realizados na sexta e no sábado: Dinamismo da comunicação na liturgia; celebração litúrgica na mídia; Comunicação e espaço sagrado; Comunicação corporal e liturgia; Dicas para a Pascom Paroquial; Como viabilizar projetos da Pascom.

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