São Nicolau de Suruí (1755)
  18/04/2011 - Semana santa
 
 

A ocupação de Suruí começa no século XVI com a sesmaria doada a Inácio de Bulhões em dez de setembro de mil quinhentos e sessenta e cinco.

            Surgem assim as primeiras devoções a Nossa Senhora de Copacabana na Barra do rio Suruí ao fundo da Baía de Guanabara, que com o passar do tempo foi elevada aos foros de paróquia.          

A devoção de Nossa Senhora de Copacabana é uma devoção marítima que provavelmente foi trazida por navegantes portugueses ou espanhóis do Peru.

Por decadência deste templo seus privilégios de paróquia e a pia batismal foram transferidos para uma capela particular da fazenda de Nicolau de Baldim que possuía uma sesmaria desde 22 de outubro de 1614 naquela região, dedicada a São Nicolau, que é datada de 1628, tempo em que era o Prelado desta diocese o Reverendíssimo Mateus da Costa Aborim. Na mesma época Nicolau de Baldim doou à Igreja uma área com 200 braças de frente por 1500 de fundos pelo rio acima. A capela se localizava também as margens da barra do rio Suruí, no atual Goya no distrito de Guia de Pacobaíba.

Com a morte de Nicolau de Baldim seus herdeiros venderam a fazenda Suruí ao casal Felix de Proença Magalhães e Águeda Gomes de Perada. Mais tarde com a subida da população para o interior um segundo templo foi edificado de pedra e cal, as margens do rio Suruí por iniciativa de Felix de Proença Magalhães que recebeu autorização do senhor Bispo Dom Francisco de São Jerônimo do bispado do Rio de Janeiro em 08 de agosto de 1708, mas não concluiu a obra em virtude do seu falecimento. A viúva Águeda Gomes de Parada concluiu com o apoio da população a obra em 1710, com da porta principal ao arco cruzeiro de 75 palmos de comprimento e 35 de largura, a capela-mor com 44 palmos de comprimento e 25 de largura.

Possui três altares, conservando no principal o Santíssimo Sacramento e no trono a imagem de São Nicolau de madeira policromada do século XVII ao lado direito a imagem de São Benedito e ao lado esquerdo a de Santo Antonio de Pádua ambas de madeira policromada do século XVII. No coroamento a imagem do Senhor Jesus como que em forma de sol. No altar da epistola sustenta ao centro a imagem de Nossa Senhora das Dores de madeira policromada de vestir do século XVIII sob o altar a imagem do Senhor Morto de madeira policromada também do século XVIII. No altar da parte do evangelho a imagem do Senhor dos Passos de madeira policromada de vestir do século XVIII ao lado direito a imagem de São Sebastião com as mesmas características.

Acham-se nesta época 260 residências e 1450 pessoas sujeitas a sacramento. Um porto só porto na falda do morro onde se fundou a igreja matriz.

Possuía uma capela filial a de Nossa Senhora da Conceição do Paquetá que foi primeiro fundador Antonio Nunes da Costa pelos anos de 1718, porém  tendo ruído as paredes e por sentença do Excelentíssimo Bispo Dom frei Antonio Guadalupe proibindo que nela entrasse pessoa alguma sem consentimento do pároco isto em 1729. O povo da circunvizinhança vendo a necessidade das celebrações da Missa, que para ouvi-la era necessário caminhar uma légua e meia até a matriz, tomou a iniciativa de reedificá-la por requerimento de Capitão Luís de Sousa Vaz datada de 23 de abril de 1784 e foi benta no ano de 1786.

Em alvará de 11 de janeiro de 1755 deu a igreja o título de paróquia a igreja de São Nicolau de Suruí tendo como primeiro pároco José Rodrigues Ferreira por carta em 14 de janeiro de 1756 confirmado em 16 de maio seguinte.

Em uma visita pastoral datada do ano de 1794 o Monsenhor José de Araújo Pizarro solicitou ao pároco o fechamento da tribuna construída por Felix de Proença Magalhães por requerimento feito a Ilustríssimo Senhor Bispo Dom Francisco de São Jerônimo em 1708, que existia na igreja de São Nicolau, em virtude de abusos ocorridos na mesma e também pela confusão de se estabelecer verdadeiro padroeirato da capela

O monsenhor afirma que com a finalização do batistério “será sem duvida esta Capela uma das mais perfeitas do Recôncavo”.

O Frei Basílio Rower Ofm,no ano de 1925, vindo visitar as igrejas da região viu o estado deplorável e lastimável em que se encontrava o templo de São Nicolau de Suruí que tombará parte da torre sobre a nave destruindo todo o telhado, solicitou a comunidade  e as autoridades como o Coronel Sérgio José do Amaral a reconstrução da mesma. Assim o povo motivado pela devoção ao santo padroeiro iniciou a reforma que foi concluída e entregue a comunidade no dia de 06 de dezembro de 1925. Teve sua torre acrescida em altura e sua fachada coberta por decorações florais, sua lateral oeste sofreu alterações em virtude do acréscimo do alpendre e o consistório transformado em casa paroquial. Desde a sua construção a igreja de São Nicolau teve o programa mais elaborado do que as capelas da região, com maiores dimensões e a presença de consistório e de batistério.

Em maio de 1979 ocorreu o trágico episódio do furto da venerável imagem do santo padroeiro São Nicolau, todo povo atônito ao acontecimento. A partir desta lastimável data o povo se reuniu em oração quase que perpetua pedindo o retorno da imagem. Inesperadamente um devoto paroquiano de Suruí encontro-u a imagem do santo em um antiquário nas Laranjeiras da cidade do Rio de Janeiro. Comunicado ao vigário o Padre Ildeu o fato e certificando-se de que era de fato a imagem roubada dirigiu-se a polícia e que recuperou a imagem.

Em cinco de agosto de 1979, todo o povo com o reverendíssimo padre Ildeu e com a presença especial do excelentíssimo Bispo diocesano Dom Manoel Pedro da Cunha Cintra celebraram com entusiasmo e gratidão o retorno da venerável imagem do santo Nicolau.

No ano de 1992 através do projeto “É possível” encabeçado pelo reverendíssimo padre José Luiz de Montezano e o historiador Dário Navarro, foi realizada uma restauração da igreja matriz de São Nicolau de Suruí. Na citada restauração foram retiradas às grades postas nas portas, detalhes postos na restauração de 1925, mudança na parte do trono e na parte do Santíssimo no altar-mor, além das cores que foram mudadas.

Através de pedido do reverendíssimo padre Pedro Paulo de Carvalho Rosa ao Instituto Estadual do Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro foi proposto uma obra emergencial e necessária no telhado da igreja visto a grande infiltração no interior do templo. Com a aprovação foi realizado, além da troca do telhado a demolição de uma antiga caixa d’água construída pela prefeitura no ano de 1973 para o abastecimento da localidade. Todo o trabalho foi feito pela própria comunidade que movida pela alegria e devoção ao santo resolveram dar novo impulso a obra pintando todo o templo nas cores originais.